domingo, 2 de outubro de 2011

Primeira tentativa de fazer RAP - HOMENS

HOMENS


"Não tenho terra; o meu pai tem chão.
Despeço dos Juca, defensores do mérito.


Ser funcionário é foda; e ainda envergonho todos eles;
HOMENS: maldição da divindade
'Com certeza, sou o pior dentre tds eles'
Assim dizia outro Homem, padroeiro da Cidade,
que perseguiu Cristãos.


Meu irmão que ouve Beatles; mas drogas? Não, Não, Não, Não, Não.


O Hoje -q n é o agora- tá incenerto...
tá incerto, Graças a Deus, não cultuo minha Terra;
pois nossa Terra, nessa Terra, é mercadoria.


E eu não posso falar dessas coisas;
dizem que não vivi, não senti; não é minha cultura
Mas o que quero falar, egoistamente;
ninguém quer ouvir.


VÁ OUVIR O QUE SE QUER OUVIR!
Dizem que só tem essa vida, esse dinheiro...
Bradley morreu aos 28, não aos 27,
mas envergonhou até o próprio filho, mesmo antes de nascer.


HOMENS; tem mulher que é mais homem do que eu...
HAHAHA, não me faça rir! Seu humor negro me dá culpa!


Quiseram me ensinar que não podia usar essa palavra;
mas td bem sentir medo, sem respeitar, sem ouvir, sem sentir, sem amar os
HOMENS.


É... conhece essa palavra? AMAR!


'singin: Love is the answer to a question that I...
have forgotten, but I know I've been asked...
So the answer's gotta be LOVE'

Ghandi ensinou, que temos que fazer;
outros passarem vergonha.
Mesmo que isso signifique;
permitir, se envergonhar

Quiseram me ensinar
que eu não era da Favela;
que eu não sei o que "eles" passam...

Mas digo-lhes - com licença,
irmãzinhas e irmãozinhos -
que Um Senhor nos ensinou:

'Ninguém nasce em todas favelas;
mesmo assim, aqui estou,
representando todas elas.'"

De Leve - Melancólico Irônico

Vomitando 101:

"É maior pressão, não tem emprego, só tem quem pague mal não faço o curso que quero, mas espero oportunidade igual nos consursos que presto
curso 20 dias e querem que ganhe do resto que ficou o ano inteiro, se não passo é porque não presto ou não estudei o suficiente
não acertei o coeficiente chiam no ouvido porque tenho tido aproveiamento merecido pra um doente isso só me força a buscar alternativas alternativas meu sonho é apunhalado pela realidade que se mantém ativa e não posso botá-lo em prática
tendo que mudar de tática e não pensar só em rimas e bases, tenho que dividir com a matemática e provas que pôe em cheque meu conhecimento não tenho conta nem cheque e me abano com leque sem ter nem discernimento tudo isso pela falta dele
o que me mantém vivo mas para obtê-lo tenho que procurar outros caminhos e arriscar meu pêlo ninguém acredita que eu vá conseguir viver com minha escrita faço coisas que me irrita pra não ter que ouvir ideias da idade da pedrita mas tenho que fazer, igual a policia é corrupta resta outra opção pra quem ganha pouco e vida brinca ininterruptamente? só me resta trabalhar em loja ou entregar remédio de porta em porta de prédio, com gorjeta de velho, mó tédio é foda, fazer rap é piada é o mesmo que eu não fizesse nada e meu tempo flutuasse na vagabundice danada melhor não dizer o contrário, pareco otário não consigo gravar, não tenho dinheiro além de letra dentro do armário e questões de prova em cima da cama pra auxiliar judiciário onde fiz 5 acertei 0, ao invés de continuar fiz o contrario desisti dessa merda a covardia minha cabeça herda do meu pai que nega 10 conto pra ir na casa da minha mulher que me deserda qualquer dia desses porque não tenho 1 puto presente no bolso não tem presente no bolso, quieto, nem reclamo do que ouço mas 1 dia vô poder chegar e botar filé cortado em bife sem nem ter que trabalhar 12 horas no natal em loja de grife nem ter q mudar minhas composiçoes pra aquisiçoes mais pop meu sonho? alcancar o top sem deixar de fazer hiphop e chegar nos lugares tendo reservado lugares pagar o total no final, sozinho, respirar outros ares tô cansado de ter que me matar por 200 conto comprar tudo no cartao pra 70 dias e ainda pedir desconto repito o reflito se a soluçao não estaria no conflito não é a toa que os muleque de joga bola preferem ganhar a vida no grito ou na mão a solução é escassa sinistro mermo é ter que trabalhar de graca, aturar desaforo e nego ainda achando graça meu tenis tem 1 furo, escrevo de dia, tô no escuro o governo gasta, raciona pasta e quer branco o sorriso mais puro? não tem condição, quero comprar ropa não só ganhar as que não cabem no meu irmao e usar o resto que ele não vê quando toma sopa imagina escrito no meu curriculum vitae emprego anterior: MC, o patrão, pega, olha e fala: sai! eu poderia me render a tentação e ser boy gastar todo o dinheiro do ônibus em flipper no centro de niterói mas acabou o flipper do shopping, fora de cogitação vou pra Moreira César entregar minhas fotos nas lojas e ver a reação dos gerentes que se cansam de ver gente, rasgam o papel e mandam cagar porque já fechou as vagas no setor de RH mas continua a maldita plaqueta no canto da vitrine tô tão duro que se fosse chamado posaria tranquilo na G magazine e foda-se todos os patrões muquiranas vô abrir meu próprio negócio com meus sócios e falir vocês em semanas dando ropa de graca na praça que robei do seu estabelecimento e lutei contra um time de tracas não existe perspectiva de melhoria no dia de vagabundo já que não tenho condição de seguir meu sonho, sou vagabundo assumido agora tenho que meter a cara na minha apostila e ficar sumido uns 20 dias eu e a mochila, quero ver o resultado depois resumido se eu for aprovado, você vai ouvir outras musicas minhas se não, nunca mais vou encher o saco com letras pra zuar as galinhas vo sumir mais rápido do que apareci na cena canto minhas músicas sozinho enquanto ajudo o engenheiro com a trena ele me elogia, pergunta se são minhas as letras que canto falo que sim, mas nada muda, continuo no meu canto gravadora quer sucesso certo, 5 garotos em coreografia com macacão da esso com zíper aberto e recesso de talento por perto produtores espertos não querem pagar pelos loops [entao] usam teclado yamaha e se amarram nos timbres, uuuops! o bom do rap é que só gasto com caneta papel eu pego da padaria, só gasto palavra e tempo, porque não gastaria? não é impressão, isso é um desabafo!!! que vem desde os tempos que jogo bafo, e continuo reclamando com esse bafo não tive tempo de escovar, trabalho pesado no sarrafo se achou demagogia o que falei, não concordo, mas tá safo"

Ode ao Divórcio (separação, no original)

Ode ao Divórcio

"o alimento que como, repentimante perde seu sabor;
agora sei que estou sozinho, sei como é o gosto...
então me quebre em pequenos pedaços;
desapegue-se aos poucos...
mas guarde umas pra peças sobresalentes;
pode ser que hajam algumas boas...
tipo, pode ser que vc ganhe um real e tal;
Estou na sua boca, agora;
atrás de suas amídalas;
aparecendo atrás de seus molares...
Agora vc tá falando com Ela...

vc tá comendo algo mentolado e fazendo aquela cara que eu gosto
e vc tá vindo, pro fatal, fatalíssimo beijo.

preciso do seu dinheiro, vai me ajudar;
preciso do seu carro e preciso do seu Amor...

So won't you help a brother out?
Won't you help a brother out?
Won't you help a brother out, out, out, out, out?
"

As Aventuras de Kechol - Despertando

Kechol desperta, tardio para os anciões.
-só não podemos pronunciar até que wanderer (Πλανήτης) labutávamos...

Sua tribo continuava a tratá-lo melhor que sua paterfamíias; entretanto, esperançoso estava nos Deuses.
-lábios azuis; veias azuis, planeta azul... foi ela que m'o ensinou...

Passa, mesmo sem o desjejum, o resto do dia dançando ao Seus sonS, alimentando a alma.
Medita sobre as broncas do dia, imagina quão desgastado está seu recurso que o mantém neste wanderer - sua arrogência moral. Decide que é melhor, por hora, manter-se no padrão (que já imagina fazendo parte da ordem denominada antiga) e participar daquilo que está mais inclusivo no agora, os jogos.

A multidão está ensandecida. Há uma mistura das vários matizes do "não amar o próximo", Kechol busca, como sempre, inclusão. Esforça-se para sentir o que seus iguais sentem; mas aprendeu a não vomitar de tanto pensar, e a confiar nos Deuses, para tudo, desde a culpa.
- consequência do Agora...

Até a posteridade.
- grande demais para qualquer Um...

Sente-se tentado a Falar, mas decide ser prático, preguiçoso, hipócrita, tímido;
-poético quem sabe...

Enfim, pactua também a ser mais humilde, e sentir-se muito bem ao sair gol da póleis de Corinto!
-Vai Coríntios, verdadeiros da Terra de Corinto!


Estas são as Aventuras de Kechol, mérito de ninguém!
Prontas a seguir seu curso natural por conta próprias!
E quem vos escreve? Talvez não seja o Iosef; enfim, fiz por Amor a nós todos, apesar de fazer por ele. (:
Beijo, Joseph!

Kechula, your dearest friend.

sábado, 1 de outubro de 2011

A obsessão pelo dinheiro - raízes e implicações

Nascemos em condição de dependência material, fato. Quando nos damos conta disso, é iniciada nossa busca pela "independência".
Até aí, nada de novo ou polêmico. Nada mais natural que a fase adolescente em que desejamos não depender de outras pessoas (principalmente do núcleo familiar) para satisfazer nossos desejos.

"Não consigo perder minha virgindade... ah, mas meu amiguinho me ensinou a fazer o trabalho sujo com minhas próprias mãos."
"Meu primeiro Nike não chega nunca... tudo bem, aquele trabalho no shopping me permitirá ter as roupas necessárias pra finalmente ter o respeito que mereço."

Parece enraizado na Sabedoria Convencional que a alternativa mais eficiente (maximizadora de utilidade) - e portanto, a alternativa que deve ser contínua e perpetuamente ensinada - é seguir o velho conselho dos velhos: estudar e arrumar uma boa carreira.
Por quê?

Parece uma pergunta simples, mas, sinceramente, não creio que é.
Não creio que todas as pessoas estão buscando "o dinheiro"; mas, antes, perseguem sua independência, com um ar de nobreza virtuosa tão estranho aos atentos.

Pra quê depender de isqueiro alheio?
Qual o benefício em depender completamente da "benevolência do açougueiro" (ou de qualquer outro) para encontrar alimento?

Qual a diferença entre um "relacionamento sexual gratuito" e um "coito de mercado" senão a independência do último perante a laboriosa conquista da cama da amada?

Minha tese revolve em torno deste conceito: Queremos "dinheiro" pois acreditamos (e defendemos) que este "substituirá" qualquer outro esforço. Afinal, o dinheiro é o bem FUNGÍVEL por natureza - sua finalidade é ser um bem que POR TUDO pode ser trocado. Trocas simplificadas, ao máximo.

Minha ideia de libertação segue em sentido oposto. É somente quando DEPENDEMOS dos outros, que podemos solidarizar e enxergar "o outro". Quando dependo do motorista e do cobrador por uma carona, não posso abordá-los como meros funcionários subalternos; mas peço o favor condicionado à humanidade que há (ou houve) dentro de todos - ao depender dos outros, estou liberto do individualismo.

É somente assim que consigo advogar o fim da obsessão pelo dinheiro - clamando pelo fim da busca individualista (por natureza) pela independência.

Sem querer ser positivista, creio que isso é um retrocesso contínuo para a sociabilidade.
À proporção que a tecnologia avança, menos dependemos de outros indivíduos para nos sentirmos bem. Querem criticar os gamers por "se perderem no mundo virtual", mas não são eles, também, meros indivíduos egoístas buscando a independência (principalmente afetiva e quanto à "realização") perante o mundo real? Entretanto, o custo (da "independência") é a dependência ao dinheiro e tudo o mais que há implicado nisso.

Passamos a depender: de nossos empregos; de nossa capacidade (limitada) para produzir; da benignidade da "mão invisível" (crises econômicas podem custar nosso emprego); e, principalmente, de TODAS AS CONDIÇÕES QUE PERMITEM tal produção e distribuição dos bens que produzimos e consumimos.
Não dependemos mais do papai, mas passamos à condição de DEPENDENTES da impessoalidade do mercado. E achamos isso lindo, ideal - há algo mais ideal que a justiça que não se encontra nas mãos de "um outro", facilmente corrompível?

Não me parece estranho, depois de refletir sobre estas coisas, nossa sociedade ser tão dividida e incoesa, tão bélica e competitiva.
Não necessitamos (tanto) "dos outros", ao custo de sermos condizentes (quando não, defensores) de absurdos morais, como trabalho escravo ou a gritante desigualdade social.

Algo tão conveniente como "alcançar o bem estar social através do individualismo" não pode estar arrado. Mr. (Adam) Smith nos deu o aval.

Finalizando: Como podemos falar sobre "sustentabilidade", "fraternidade" ou mesmo "amor" nessas condições? Somos Humanitários virtuosos ao sermos Egoístas?

Desculpem, mas não serei julgado na posteridade pela aderência a esta ignorância, hipocrisia e perversidade. Sou vagabundo com muito orgulho. Chupim, serrinha, dead-beat, aproveitador... fiquem à vontade para aumentar o rol de nomes que enquadram a "renúncia à busca da independência"; OU, tentem entender como uma postura anti-capitalista, o que considero mais apropriado.